E tomar alguns calmantes, sei lá. Sair por aí sem ter hora pra voltar, sem ter ninguém te esperando. Talvez seja essa a solução, saber que não tem mesmo ninguém te esperando, se livrar d’uma agonia constante, martelando seu pensamento. Viver uma vida sem a chance do “talvez”, na certeza de qualquer coisa sólida, inútil. Ensejando um momento qualquer de paz, de tranquilidade. Talvez eu queira também gastar as minhas horas, derramando o medo escrachado do tempo pelo caminho. Delirando momentos. Era assim que meu avô dizia. Meu avô, meu refugio. Minha mentira inocente, meu álibi. Mas talvez, ainda assim, a mentira, solução de quem vive, ou a verdade, cobrança de quem ama, seja o estado inestimável em todas as outras pessoas, que não eu. Que não quem amarei.
terça-feira, 12 de julho de 2011
domingo, 12 de dezembro de 2010
Full Of Anything
Ela sangrava o coração, mas ele detinha as canetas, dilacerando-a a cada palavra.
- Já! E ela correu. E foi correndo. Correndo até se distanciar o suficiente pra que eu perdesse meu foco, o suficiente pra que o odor e o sabor de qualquer coisa se espezinhassem pelo chão da sala. Do quarto. Dos cômodos que você pisou, e principalmente dos que você não pisou. Sim, a vida era longa, proporcionalmente longa ao penar que se impunha a mim, e a tudo aquilo que cumpriria o fado da tua ausência.
Os vitrais coloridos de histórias e sóis. Quiçá. As cortinas, agora, mofadas de suor e lágrima, de gozo e riso, choro e sono.
Era manhã cedo, madrugada, e o feno exalava os ares do campo úmido, molhado de frio. O corpo pedia lenha, fogo e dengo. O dengo que foi preso na tua mala, de volta pra qualquer coisa, lugar qualquer que detinha o que qualquer outro lugar não pudera reter.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Os velhos, os gatos e o sótão
A cortina balançava sob o efeito do vento que já não sopra, um diário de folhas amareladas e histórias herméticas. Quede o poeta gritou, as folhas caíram, o sol cessou o brilho e os sonhos adormeceram.
Beatriz Meira Matos
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Mais tarde
E os olhos se embebedavam, por vez, de lágrimas,
Arrastando gestos dos dias que não vieram;
E das cartas que não chegaram;
Mas porcas são as palavras, que pensam por si só.
Beatriz M. Matos
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Nada
Engole a calma;
Frágil torna;
Suspiro solta;
O lábio encosta;
Aceita a volta;
Carrega a mágoa;
E chora a perda.
Beatriz M. Matos
segunda-feira, 22 de março de 2010
E se misturaram
As palavras talvez roubadas
Talvez pensadas
Fluíam de sua boca
Como se de teu passado fossem arrancadas
Verdades nunca vividas
Na exatidão da incerteza
A vontade de ter
E a raiva do não ser
A vida secreta que desperta
A vontade de viver o que não se quer.
Beatriz M. Matos
